Museu das Flores

Junho 2026

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Peça do Mês - Desvendando a coleção do Museu das Flores

O Museu das Flores estreia a rubrica “Peça do Mês” com a réplica em miniatura do navio baleeiro Charles W. Morgan (MFD1621).

Inteiramente em osso de cachalote, com detalhes em latão e as velas em algodão, a peça feita pelo artesão Albertino de Sousa Luz, mede 60 centímetros de altura, 23 centímetros de largura e 68 centímetros de comprimento. Encontra-se exposta no Convento de São Boaventura, na área dedicada à navegação atlântica.

Atualmente, o Charles W. Morgan integra o espólio do Mystic Seaport Museum, no Connecticut; completamente restaurado e navegável é o único exemplar do seu género no mundo – navio baleeiro em madeira.

Construído em 1841, nos estaleiros dos irmãos Hillman em New Bedford, Massachussets, deve o seu nome a um dos seus proprietários, Charles Waln Morgan, nascido em Filadélfia, na altura com 45 anos.

Nesse ano, embora os Estados Unidos estivessem a enfrentar a Depressão que se seguiu ao Pânico de 1837, a indústria baleeira ainda se mostrava lucrativa: 309 navios zarparam de 38 portos baleeiros dos Estados Unidos e a frota americana era composta por cerca de 20,000 homens. Dois anos antes, em 1839 o óleo de cachalote tinha atingido o seu valor mais elevado desde a Guerra de 1812.

Com uma tonelagem de 351 toneladas (volume interno total), o Charles W. Morgan tem cerca de 32 metros de comprimento, 8 metros de largura, e 5 metros de profundidade de porão. O seu mastro principal ergue-se a 33,5 metros do convés. Totalmente equipado apresenta cerca de 662m2 de velame.

Transportava 5 a 6 botes baleeiros, cujo comprimento estava entre os 7,6 os 7,9 metros e peso rondava os 270 a 300 quilos.

Os enormes caldeirões (tryworks) utilizados para converter a gordura de baleia em óleo encontravam-se no convés; por baixo estariam os aposentos dos oficiais e da tripulação.

Navegava, por norma, com uma tripulação de cerca de 35 elementos, composta por marinheiros de todo o mundo. Na sua sexta viagem (1859-63) atingiu o recorde de tripulação com 113 elementos.

Ao longo de uma carreira baleeira de 80 anos, o Charles W. Morgan embarcou em 37 viagens, a maioria das quais com duração de três anos ou mais. A viagem mais longa durou 1801 dias (12ª viagem entre 1881 e 1886) e a viagem mais curta durou menos de um ano (262 dias entre 1920 e 1921), tendo sido a sua derradeira viagem, capitaneada por John Gonsalves.

A sua primeira viagem teve início no dia 6 de setembro de 1841, sob o comando do Capitão Thomas A. Norton. O primeiro ponto de paragem foi os Açores, concretamente a ilha do Faial, onde o capitão terá ido terra recrutar mais homens para a sua tripulação, antes de continuar para o Atlântico Sul.

Viu a primeira baleia caçada a 13 de dezembro de 1841, depois de cruzar o Cabo Horn, na América do Sul, que rendeu 17 barris de óleo. Em média caçava cerca de 60 baleias por viagem. Para encher o porão eram necessários cerca de 283 mil litros de óleo.

Joseph F. Edwards, florentino natural da Fajãzinha que, como tantos outros, embarcou em navios baleeiros que passavam pelos Açores, foi seu capitão na 35ª (1918-1919) e 36ª (1919-1920) viagem. Foi ele que capitaneou a última viagem baleeira americana, em 1927, a bordo da escuna John R. Manta.

Durante os anos em que esteve no ativo, mais de 1600 homens viveram e navegaram no Charles W. Morgan. A juntar a estes, 6 mulheres, esposas dos capitães, integraram a tripulação em 12 viagens. Uma delas, Katherine “Kitty” H. Frasier, era a esposa de Joseph F. Edwards, tendo acompanhado o marido em ambas as viagens.

Terminada a sua carreira baleeira em 1921, foi preservado pela Whaling Enshrined, Incorporated e exposto na propriedade de Edward H.R. Green em Round Hill, South Dartmouth, Massachusetts, até 1941. Em novembro desse ano, chegou ao Mystic Seaport Museum, onde já foi visitado por mais de 20 milhões de pessoas, que podem ali aprender sobre o património marítimo e sobre uma importante parte da história americana.

O Charles W. Morgan navegou pela última vez em 2014 numa viagem que o levou a alguns dos portos históricos dos Estados Unidos e que durou cerca de 3 meses.

Era em navios como este que era feita a caça e posterior processamento dos cachalotes. Os botes que transportavam eram descidos quando necessário, perseguiam, caçavam as baleias e rebocavam-nas para junto do navio. Ali mesmo no mar eram-lhes retiradas as camadas de gordura, içadas para o interior onde eram derretidas nos try-works (designação adaptada para traiol em português); a cabeça era também içada para bordo do navio para que se pudesse retirar o espermacete. Dentes e ossos podiam ser guardados para transformar em utensílios ou peças decorativas, algo que entretinha os baleeiros nas longas horas desocupadas no mar.

Foi a bordo destes navios fábrica que muitos açorianos aprenderam sobre a faina e os que regressaram às ilhas de origem, fundaram a indústria. Os primeiros botes e utensílios utilizados eram importados dos Estados Unidos, e muitas das palavras associadas à atividade foram também elas adaptações de termos americanos.

Fontes:

LEAVITT, John F. – The Charles W. Morgan. Connecticut: Mystic Seaport Museum, 1998. ISBN0913372102

https://mysticseaport.org/explore/morgan/

https://research.mysticseaport.org/databases/cwm-crew-lists/

https://research.mysticseaport.org/exhibits/morgan/

https://whalinghistory.org/av/

https://www.whalingmuseum.org/

 

A Direção Regional da Cultura informa que este e outros eventos estão disponíveis para consulta na Agenda Cultural do Portal Cultura Açores, no seguinte endereço eletrónico: www.culturacores.azores.gov.pt

Categoria
Data Inicial
2026-05-31
Data Final
2026-06-29
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